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Decreto Legislativo Nº 1460 , DE 2008
(Do Sr. Deputado Brunelli)  

Concede o Título de Cidadã Honorária de Brasília a Senhora ESTER GIRALDI DIAS. 

 
A Câmara Legislativa do Distrito Federal decreta:

Art. 1º - Fica concedido o Título de Cidadão Honorário de Brasília a Senhora Ester Giraldi Dias.

Art. 2º - Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICAÇÃO

O presente Projeto de Decreto Legislativo tem por objetivo conceder Senhora Ester Giraldi Dias, o Título de Cidadã Honorária de Brasília. Trata-se de uma cidadã da maior respeitabilidade provada e comprovada por seu comportamento sempre ético e sua conduta ilibada.  

            Nascida aos 28 de maio de 1942, a homenageada é da cidade de Muzambinho – MG, segunda filha de uma prole de seis. Seu pai, Joaquim Giraldi, pastor presbiteriano, era professor na pequena cidade de Aguaí, no estado de São Paulo, para onde a família se mudou em 1950.

            Desde muito cedo, a homenageada procurava ajudar as pessoas: crianças órfãs, viúvas desamparadas e famílias necessitadas. De família em que nada faltava, mas também dificilmente sobrava, Ester buscava a mágica de multiplicar o que era possível: roupas, cadernos e até o lanche da escola.

            Durante o curso primário, Ester se destacou como aluna brilhante e precoce. O curso fundamental, antigo ginasial, foi concluído na pequena Aguaí, mas para seguir adiante, dar continuidade aos estudos foi para Casa Branca – SP.

            O sonho de seus pais era que ela seguisse a carreira de professora, mas foi em Casa Branca, no Sanatório Cocais, um nosocômio para dois mil hansenianos (que antes eram chamados de leprosos), que Ester, nas suas visitas dominicais, descobriu seu verdadeiro dom. Por intermédio dos trabalhos sociais da sua Igreja, que incluíam conversas e cuidados com as pessoas marginalizadas da sociedade, ela constatou que sua vocação estava na Enfermagem. Pensou em ser freira ou irmã de caridade. Porém, presbiteriana convicta, ela buscou outra alternativa, aos dezesseis anos, lutou para convencer os pais que resistiam à idéia e prosseguiu vencendo preconceitos.

            Determinada, Ester foi para Ribeirão Preto – SP, fez o vestibular e foi fazer o Curso Superior de Enfermagem, na USP – Universidade de São Paulo. Nos quatro anos do curso, ela se destacou dos demais colegas, e em 1962 recebeu diploma de louvor. Ainda na faculdade, decidiu que iria trabalhar em Psiquiatria, principalmente com alcoólatras e drogados. Foi se especializar na USP em São Paulo.

            Nunca, em sua vida profissional, a homenageada se conformou com o tratamento dado aos doentes mentais, como eletrochoques, insulino-terapia e choques cardiogênicos. Sempre lia, dialogava, fazia cursos e buscava alternativas mais humanas e menos agressivas. Nunca se conformou com as terapias convencionais que desrespeitavam os pacientes.

            Determinada, Ester buscou aprimorar-se na área. Visitou países e conheceu métodos novos métodos de tratamento. Com alma de desbravadora, partiu para Brasília, a capital dos sonhos, onde chegou no dia 29 de março de 1964 – dois dias antes do Golpe Militar, testemunhando os acontecimentos daquela época.

            Trabalhou no antigo Hospital Distrital, hoje Hospital de Base de Brasília e no Hospital da L2 Sul, hoje Hospital Regional da Asa Sul. Em 1972 foi admitida mediante concurso público no HFA, onde organizou a Clínica Psiquiátrica. No período da ditadura, um de seus irmãos foi, com outros companheiros, foram banidos para Cuba. Isso lhe marcou profundamente, principalmente porque naquela época, Cuba não mantinha relações diplomáticas com o Brasil, o que dificultada receber notícias.

            Em 1982, surgiu a oportunidade de visitar o irmão em Cuba, pois participaria naquele país de um Congresso da Organização Mundial de Saúde. Entretanto, teve que ir ao México primeiramente para poder ingressar no país de Fidel Castro.

            A homenageada pode presenciar em Cuba tudo que gostaria de fazer na área da psiquiatria. Entrevistou pessoalmente o Comandante Fidel Castro e daí em diante sua vida mudou. Enfrentou prisão ao chegar ao Brasil, mas não se aterrorizou.

            Daquela primeira vez até a presente data, já foi a Cuba 38 (trinta e oito) vezes e pôde realizar o seu grande sonho. Montou em 1991, com o dinheiro do FGTS da sua aposentadoria, a Mansão Vida, Hospital Psiquiátrico totalmente diferente do modelo de tratamento existente na região Centro-Oeste. Foram e são muitas as suas lutas. Hoje a Mansão Vida é uma instituição reconhecida como Centro de Convivência e Atenção Psicossocial. No total, reúne 46 (quarenta e seis) convênios e atualmente atende a exatos 100 (cem) pacientes. Os profissionais usam as mais diversas técnicas para tratamento. Além de médicos especialistas na área, os psicólogos, terapeutas, assistentes sociais, nutricionistas, professor de Educação Física, todos seguindo a linha humanizada, vanguarda na moderna Psiquiatria, trabalham com a homenageada para que os tratamentos tenham sucesso.

            A conquista mais recente da Família Mansão Vida foi à chegada de um engenheiro florestal. Sob a orientação desse profissional criterioso e atento, tem sido possível reflorestar a área onde está instalada a clínica. A impressão que se tem é que há uma pequena cidade cercada por uma imensa floresta repleta de árvores, plantas, flores e muito verde por todos os lados. Tanto é que o símbolo da instituição são três árvores: uma quase caindo, que é a sensação que muitos têm quando procuram o tratamento psiquiátrico, outra buscando a luz do Sol e uma última de pé, linda e forte, que é como se espera que cada paciente conclua seu tratamento.

            Como religiosa, a homenageada nunca esqueceu dos desamparados. Já ajudou a montar várias casas de recuperação evangélicas. São inúmeras as pessoas que sobrevivem de sua contribuição. Ajudou a construir habitações para funcionários da clínica.

            Também foi responsável pelo primeiro emprego. Muitos dos que hoje trabalham na Mansão Vida iniciaram sua vida profissional lá, tendo a tão sonhada chance realizada.

            Como conferencista tem percorrido muitos lugares. Como professora de enfermagem psiquiátrica recebe alunos de diversas faculdades de Brasília, Goiânia e Paracatu. Quase todas as escolas técnicas de enfermagem levam os seus alunos para conhecerem a Mansão Vida e os Métodos lá utilizados.

            A vida da homenageada tem sido uma eterna dedicação aos mais doentes. Florence Naghtingale (enfermeira italiana, filha de ingleses) e Ana Néri são seus exemplos de vida. Abriu mão do conforto de um apartamento na Asa Sul e foi morar em uma Casa na Clínica, para estar perto dos seus doentes. Seus filhos um Advogado e outro Psicólogo trabalham com ela. Sua filha, jornalista, é sua grande incentivadora, sempre dizendo: “vai mamãe, vai que tudo dará certo”.

            Esta mulher, guerreira, corajosa, dedicada, amorosa, meiga, caridosa. Cristã por excelência, é a ESTER GIRALDI DIAS, Enfermeira, exemplo de vida, de profissional e de mulher!

            Por fim, a referida comenda será outorgada a quem soube entregar a sua própria vida à causa da enfermagem psiquiátrica, a quem vem demonstrando que é preciso lutar para engrandecer as instituições democráticas, a quem se dedica a difundir a utopia de um país justo, fazendo deste ideal sua principal missão.

            Diante do exposto, peço aos meus ilustres pares, apoio para a aprovação deste Projeto de Decreto Legislativo.

Sala das Sessões, em 14 de fevereiro de 2006.

 
BRUNELLI
Deputado Distrital - PFL

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